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História

A vida íntima dos bebês dentro do útero

O autor do livro A Vida Secreta da Criança Antes de Nascer, o psiquiatra tcheco Thomas Verny, esteve no Brasil e foi recebido em São Paulo por Dr.Cláudioo Basbaun, médico que introduziu no país o parto Leboyer (o método do Nascer Sorrindo). Numa entrevista exclusiva à MANCHETE, quando anuncia que está prestes a lançar o quarto livro sobre o mesmo tema, Dr.Verny explica por que acha tão importante divulgar suas ideias: as crianças devem não apenas nascer sorrindo, mas vir ao mundo em condições de poder continuar alegres pela vida afora. Isso, segundo o psiquiatra, só é possível quando suas vidas intrauterina se passam em harmonia com a mãe e o mundo exterior.

“Uma parte de nós continua sempre a encarar o mundo com os olhos do recém nascido que formos. Se as impressões exteriores exteriores recebidas no útero forem calorosas e afetivas, a criança esperará do mundo exterior as mesmas qualidades; por isso, terá uma predisposição à confiança, à abertura e à extroversão. O mundo parecerá exatamente como lhe havia parecido no útero. Se este círculo for hostil, a criança esperará um universo pouco simpático, apresentando tendência a ser hesitante, desconfiada e introvertida.”

Quem diz isso é o médico tcheco Thomas Verny, psiquiatra que queria ser obstetra, mas desistiu depois de ter assistido a “27 partos, vendo os métodos brutais e impessoais usados pelos médicos”. Ele, que é pai de dois filhos, hoje com 24 e 28 aos (nascidos de maneira inteiramente diversa da que prega), é o autor de A Vida Secreta da Criança Antes de Nascer, livro lançado em 1981 que, na época, despertou algum ceticismo entre os profissionais. A obra baseia-se em dezenas de pesquisas realizadas nos EUA, Canadá, Suécia, Suíça, França, Inglaterra e Nova Zelândia, desde os anos 30. E, a partir dela, Verny jamais abandonou os estudos sobre a vida intra-uterina.

Hoje, aos 54 anos, em vias de publicar seu quarto livro sobre o mesmo tema, o fundador da Associação de Psicologia Pré e Perinatal da América do Norte, no Canadá, onde vive desde 1952, começa a ser respeitado em todo o mundo. “A maioria dos médicos já admite que subestimam o desenvolvimento emocional e intelectual da criança dentro do útero”, diz ele. E é verdade. Atualmente, são muitos os estudiosos deste território tão misterioso quanto revelador – o útero materno e a vida do feto lá dentro.

O nascimento deve ser o mais natural possível.
E é conveniente que o pai esteja perto

A estabilidade do bebê no útero depende do equilíbrio físico e emocional da mãe, o qual, por sua vez, depende do relacionamento tranqüilo com os que a cercam, principalmente o marido, Verny resume: “A chave da felicidade e a saúde dos filhos está nas mãos de seus pais.” O psiquiatra não quer apenas alertar os futuros pais, pretende isso sim, revelar a origem de certos problemas vividos por pessoas adultas, cujas origens estão ligadas ao período da gestação. Porque o feto não é um ser passivo, que apenas vegeta e cresce por nove meses, sem interagir com o organismo da mãe.

Quando se acompanha o desenvolvimento de um feto, fica mais fácil entender a importância do que diz Thomas Verny: com cinco semanas, ele já desenvolve ações reflexivas bastante complexas. Aos dois meses, mexe a cabeça, os braços e o dorso sem dificuldade, chutando quando o pressionam. Aos quatro meses faz caretas: levanta as sobrancelhas, franze os lábios e repuxa os olhos. Aos seis ou oito meses, é tão sensível quanto uma criança de um ano: afasta a cabeça bruscamente quando alguém passa a mão sobre a barriga da mãe, na região onde fica seu couro cabeludo. Tem um medo horrível de água fria: quando a mãe bebe, ele reage dando violentos pontapés.

A vida intra-uterina, segundo vários pesquisadores, influencia até mesmo o comportamento sexual do adulto. Verny diz que a instabilidade sexual revela muitas vezes o desejo inconsciente de ser embalado e acariciado, de reviver a tranquilidade e a segurança da gestação. Como a volta ao útero é impossível, o indivíduo parte para um novo relacionamento e... uma nova decepção. Não só a gestação é importante. A chegada do bebê ao mundo também pode (ou não) ser traumática. Dr.Verny exemplifica: “Geralmente, as pessoas nascidas por cesáreas têm uma grande necessidade de serem tocadas. Elas sentem fome de embalo. Já os indivíduos nascidos por parto natural têm mais autoconfiança e uma personalidade mais saudável. Quando uma criança nasce por parto natural, recebe a melhor mensagem da vida, ao passar pelo canal do parto. Esta é a sua melhor carícia, o momento de prazer entre as dolorosas contrações maternas que lhe pressionam a cabeça, o pescoço e os ombros.”

O psiquiatra acha que a experiência do parto se refletirá em toda a existência: “As pessoas nascidas por cesárea têm, frequentemente, a sensação de que não podem fazer as coisas por si mesmas, devido ao que aconteceu no início de suas vidas – elas não puderam sair por si. Elas foram salvas. Assim, carregam a fantasia de ser ajudadas. Estatisticamente, comprovamos que os nascidos por cesáreas vivem se metendo em situações difíceis, esperando, inconscientemente, que alguém os salve no último momento.”

Essas impressões costumam ficar guardadas no inconsciente e podem vir à tona em sessões de hipnose. Os psicanalistas já não estranham quando seus pacientes hipnotizados descrevem as sensações sentidas dentro do útero. Quando estavam mergulhadas no líquido amniótico e ligadas à placenta. Mas uma jovem mãe norte-americana, anos atrás, ficou estupefata quando ouviu sua filha, que brincava sentada no chão da sala, cantando “respire, sopre, respire, sopre”. Aquele era um exercício que ela (a mãe) havia feito durante o parto, em uma língua até então desconhecida pela menina.

Dr.Verny afirma que, dentro do útero materno, a criança já tem certa capacidade para aprender, iniciando assim uma primitiva estruturação de personalidade. O psiquiatra ensina: “A futura mamãe não precisa se preocupar com um stress repentino, com um eventual esforço físico ou uma briga com o marido. Isso não traz danos permanentes ao bebê. O que ela deve evitar é o stress a longo prazo. Por exemplo, ficar pensando em aborto, sofrer maus tratos do marido ou – difícil evitar – ressentir-se pela morte de alguém. Situações como essa aumentam a produção neuro-hormonal da mulher. A adrenalina, a noradrenalina, a oxitocina e outras substâncias atravessam a placenta e prejudicam o feto. Podem provocar ansiedade ou depressão na pessoa que vai nascer.”

Thomas Verny diz também que, embora a comunicação extra-sensorial entre mãe e filhos não possa ser detectadas concretamente, ela é tão importante quanto a comunicação fisiológica que existe entre os dois: “A comunicação psicológica ou telepática se revela principalmente através de sonhos. Uma mãe sonha que está andando num ônibus, que viaja cada vez mais rápido e que, de repente, cai num abismo. Ela acorda e tem certeza de que a ideia de abismo foi sonho do bebê. Algumas horas depois ela tem um aborto espontâneo. Outras vezes, há muitas mães que têm certeza de que o bebê é um menino moreno, com olhos azuis, etc. Quando ele nasce, as características são exatamente as descritas.”

Verny tem um exemplo definitivo sobre a apreensão, pelo feto, dos sentimentos nutridos pela mãe: “Uma criança, chamada Kristina, se recusava a mamar em sua mãe, embora recebesse bem o leite de outras mães ou de mamadeira. Uma investigação revelou que sua mãe tinha sentimentos ambivalentes durante a gravidez: não sabia se queria o bebê ou não.”


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A Pró-Matrix, preocupada com o expressivo número de cirurgias para retirada desnecessária do útero, mantém desde 1996 a campanha "Mulheres, salvem seus úteros!", defendendo o direito da mulher a uma segunda opinião, a um tratamento moderno e conservador, mininvasivo, que a respeite em sua plenitude.


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